O relógio que está no Mercado Público veio para Florianópolis no dia 03 de julho de 1911, quando a empresa inglesa de comunicação Western Telegraph, mais conhecida como Cabo Submarino, instalou-se na cidade. Este sistema era a mais moderna tecnologia conhecida até então para transmitir telegramas para todo o mundo. A empresa possuía milhões de quilômetros de cabos que interligavam os cinco continentes através de um cabo deitado no fundo dos mares, daí a denominação de cabo submarino. Com o emprego dos satélites de comunicação, este meio foi desativado em 1975. Até esta data, a maioria da população local acertava os seus relógios pelo relógio do Cabo Submarino, instalado na Rua João Pinto, sede da empresa, pois ele era confiável, marcando as horas conforme o Meridiano de Greenwich. Quando a firma saiu de Florianópolis em 1975, substituída pela Embratel, todos os seus bens foram vendidos ou doados. Sobrou apenas o velho relógio que, após alguns estudos, foi reinstalado na entrada norte do vão central do Mercado Público. Em meados de 1989, um casal de australianos visitou Florianópolis e foi conhecer o mercado. Quando Lourdes e Lyall Fricker viram no relógio os dizeres Gillett & Johnston (Crydon) escritos no mostrador, ficaram encantados e procuraram os responsáveis pelo Mercado em busca de informações. Encantados com o perfeito estado do mecanismo, o casal comprometeu-se a procurar na Europa alguém que pudesse informar detalhes de como poderia o relógio ser colocado novamente em funcionamento. A investigação dos dois australianos foi além. Em carta enviada, em 1989, estava anexado o prontuário de saída do relógio da fábrica na Inglaterra e um histórico da empresa Gillet & Johnston, com sede em West Croydon, Inglaterra.
Existem somente 03 relógios deste no mundo, 01 em Londres, 01 em Buenos Aires e o do nosso Mercado Público, que encontra-se em perfeito estado de funcionamento até os dias de hoje.
Histórias são excelentes para a cultura de um povo, temos que mantê-las e preservá-las.